Trufas e champignons

Acostumada a encontrar facilmente uma trufa de chocolate em qualquer bombonière, sempre tive curiosidade de saber o gosto de uma trufa de verdade. Estas só conhecia por filmes e histórias: uma iguaria que nasce em baixo da terra e é encontrada por porcos, mas nunca tinha visto uma.

Pesquisando sobre o que fazer em Dijon e proximidades, encontrei um lugar em Marey les Fussey chamado Maison Mille Truffes et Champignons. Como era um “desvio” no caminho para Lyon, resolvemos verificar.

Sem muitas informações sobre o endereço: Route des Villiers, Marey les Fussey, resolvemos nos arriscar. Afinal o que seria de uma viagem sem as pequenas aventuras?

O caminho em si foi super agradável, vinhedos para todos os lados:

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Eis que surge a beira da estrada uma casinha, meio difícil de ver, por estar um pouco abaixo do nível da estrada, que era a Maison Mille Trufes et Champignons:

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A experiência foi indescritível, as explicações eram um pouco longas, mas descobrir o que é uma trufa, como nasce, sua colheita e seu sabor, ficarão eternamente em minha memória. Sim: tinha degustação, apesar de não ser época de trufas (início do inverno). Provamos diversas iguarias feitas com trufas. O sabor é realmente único. Pode-se identificá-lo claramente mesmo dentro de preparações com sabor mais forte, como um paté de foi gras.

Pra esclarecer brevemente: trufas são champignons (fungos) que nascem sob a terra, presos em raízes (diga-se de passagem feias de doer, umas bolas pretas sem forma muito definidas, que provavelmente deram origem ao nome das primas de chocolate).  Sei preço varia de acordo com o seu tipo e as brancas atingem milhares de euros.

Em tempo: como o nome diz: não são só trufas que são exploradas no local, mas há inúmeras variedades de champignons, dentre saborosos, comestíveis, sem valor, alucinógenos e venenosos, com ilustrações e explicações para todos os lados.

Visitando essa região não deixe de passar por lá. Você terá muita coisa para contar.

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Dijon

A viagem de Colmar a Dijon foi sem qualquer evento que justifique um post. Seguimos pela Autoestrada e pronto.

Chegando em Dijon, tratamos de procurar nosso B&B, o que não foi difícil. Complicado foi estacionar, depois de descarregar a bagagem. Na rua não havia espaço e a dona do B&B nos indicou um estacionamento público a 2 quadras. Estava fechado. pra voltar era contra-mão. paramos então na entrada pensando o que fazer.

Eis que surge outro carro, com o mesmo problema, queria estacionar. Ao explicar que estávamos meio perdidos, ele, que era de Dijon, pediu que seguíssemos seu carro até outro estacionamento. Não me peçam para repetir o percuso, mesmo sendo um GPS ambulante (sou excelente com mapas), mas como atravessamos a parte velha da cidade, eram tantas quebradas que me perdi. Carro estacionado, voltamos a pé, muito mais fácil, pois não há ruas de pedestres nem contra-mãos em que não possamos entrar.

Ficamos hospedados no Le Petit Tertre, que como B&B foge um pouco do conceito inicial. Na verdade não é um quarto da casa, mas um quartinho nos fundos com entrada independente. O acesso era bem feinho, mas a dona nos garantiu estar em obras de melhoria. O quarto em si era imenso, em um nível uma sala aconchegante e um banheiro enorme e numa mansarda o quarto de dormir, todos ricamente decorados.

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O café da manhã foi servido em nossa sala, com utensílios guardados num cravo transformado em armário

Dijon é uma cidade maravilhosa de se visitar. A cidade é toda marcada com caminhos sugeridos para visita. O guia (“Parcours de la chouette“) pode ser adquirido no escritório de turismo, mas nos foi emprestado pelo B&B.

Por toda a cidade os pontos de interesse tem em sua frente uma placa no chão com uma coruja (símbolo da cidade) em metal dourado, e o número correspondente à sua descrição no guia.

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Para seguir de um ponto a outro, há um “rastro de corujinhas” indicando o caminho, como a rastro de migalhas de pão de João e Maria. Seguir as corujinhas é uma diversão a parte.

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É indispensável a visita à coruja, o símbolo da cidade, uma pequena imagem/estátua/alto-relevo na lateral da igreja de Notre Dame. Passar a mão na coruja dá sorte.

 

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Nas fontes é impressionante a cor das águas (não só em Dijon, mas por toda a França), como esta linda fonte no Jardim Darcy:

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Outra coisa interesante são as pinturas realistas que enfeitam grandes paredes, tirando a monotonia de um muro branco:

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Outros pontos interessantes a visitar:

  • Palácio Ducal
  • Museu de Belas Artes
  • Torre Philippe Le Bon
  • Les Halles
  • Catedral
  • Igreja Notre-Dame
  • Igreja Saint Michel
  • Maisons de la rue Verrerie
  • Maison aux Trois Pignons
  • Toda a arquitetura e parques da cidade

 

 

Colmar

Colmar é uma cidadezinha linda e pra melhorar ainda pegamos a decoração de páscoa.

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Ao chegar na cidade, seguimos as intruções do GPS e do mapa para localizar o hotel (Saint Martin), que, por ficar na parte antiga, deixou o GPS meio maluco. Fica numa área destinada a pedestres, mas os carros podem entrar, para “livraison” (embarque/desembarque – carga/descarga). Para quem vive uma metrópole, é bizarro. Carros andando lentamente por ruas super estreitas e cheias de pedestres…

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Estávamos ainda um pouco desconfortáveis quando achamos o hotel, mas a moça da recepção, nos garantiu estar tudo bem. Deixamos as malas e ela nos indicou o caminho para um grande estacionamento gratuito.

O nosso quarto era engraçado, era num anexo ao prédio principal, e por questões de aproveitamento do pé direito muito alto das construções antigas, foi feito um entre-piso. Resultado: o pé direito era baixíssimo, meu marido tem 1m90 e quase batia com a cabeça.

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Mas não prejudicava o conforto nem a segurança. O espaço também não era pequeno, apesar de mal aproveitado, cheio de cantos. O banheiro era impressionantemente grande.

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Mas a localização do hotel é fantástica, bem no centro. passeamos muito.

Por ser uma visita exploratória, nos pegamos mais a arquitetura e pontos turístico, não tivemos tempo para explorar os Museus.

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Visitamos (além de outros):

  • A cidade velha
  • Koifhus (Antiga Alfândega)
  • The fishmonger’s district
  • Maison Pfister
  • Maison des Tetes
  • Fontaine Bruat
  • Schwendi fountain

 

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Vale a pena visitar Colmar. Eu ainda vou voltar com mais calma, talvez uns 3 dias, afinal, faltou explorar a fasceta da cidade natal do escultor da Estátua da Liberdade (Auguste Bartholdi)

De Metz a Colmar

Saimos de Metz dispostos a aproveitar a estrada até Colmar,

No caminho visitamos o Chateau du Haut-Barr, perto de Saverne.

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É uma construção no alto de uma montanha, perfeitamente integrada à rocha.

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A visitação é livre e lá existe um restaurane, aonde tomei um café.

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A vista é indescritível!

Ainda no caminho demos uma parada super rápida (só mesmo para tirar uma foto) em Marmoutier, em frente à uma abadia de torres octagonais

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e continuamos para Obernai, aonde almoçamos.

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É uma outra cidadezinha minúscula, aonde até pensamos em ficar (nos planos originais). Fomos demovidos da ideia, por sugestão de amigos e parentes, escolhendo como próxima parada Colmar, por ter mais coisas para ver.

Desta forma conseguimos voltar (ou quase) aos nossos planos originais, chegando no meio da tarde em Colmar, a tempo de passear.

 

Planejamento detalhado

Às vezes o planejamento de uma viagem toma mais tempo do que esperamos, nos forçando a interromper atividades não essenciais.

Foi isso que aconteceu, mas para não interromper meu relato com a nova viagem, vou terminar essa.

Ainda não começei a pensar na próxima, minha vida está num momento de espera. Uma filha acaba de saber que passou para a faculdade e a outra ainda aguarda resposta.

Dicas de segurança

Lendo o Post sobre segurança em viagens no Vaje na Viagem, teci alguns comentários que repito aqui:
– Da mesma forma que em casa não paramos para dar atenção a um estranho (mamãe ensinou isso desde pequenos), porque diabos falar com ciganos ou quaisquer outros que nos abordarem nas ruas? Siga seu rumo e se precisar de ajuda procure um policial ou segurança uniformizado. Na falta deles gosto de perguntar para crianças brincando, que não estão interessadas em você…
– Coisas expostas dentro do carro, jamais. Já fiz viagem onde meu “armário” era o porta malas, mas sempre trocava o que era preciso antes do meu destino, assim ninguém sabe que tem algo dentro.
– Não costumo viajar para compras, logo não sou visada, mas coisas de valor sempre no cofre. Só quando não cabe é que vão para a mala, mas minha mala só abre com makita. Malas com fecho eclair são facilmente arrombáveis, tanto no hotel quanto nos aeroportos.
– A segurança dos cartões de drédito é obrigação do banco. Muitos querem cobrar um pequeno adicional por isso, mas o que poucos sabem é que é deles o ônus da prova que você usou o cartão. Isso não vale para furtos e roubo de bens adquiridos. Verifique a cobertura do seu cartão ou do seguro viagem contratado

Metz

Devido à nossa visita a Epernay, nossa chegada a Metz ficou bastante atrasada.

Minha ideia inicial era acordar cedo, viajar pela manhã (trajetos sempre entre 2 a 3 horas), chegar perto da hora do almoço, me hospedar, comer, conhecer a cidade jantar e dormir, ficando pronta para o dia seguinte.  Está ficando claro que acabei não conseguindo cumprir o planejamento inicial, mas raios, estando de férias, qual o problema em fugir dos planos?

Escolhemos um hotel central, e mais uma vez não tivemos problema com estacionamento. As cidades do interior da França estão com grande oferta de estacionamentos públicos pagos no centro da cidade.

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Saímos mais uma vez para explorar, mas a maioria das coisas estava fechada (como em Reims)

O hotel da Cathedral tinha realmente uma vista linda para a lateral da catedral de Metz, mas, curiosamente a cidade dormia cedo, poucas pessoas a noite na rua.

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O centro gastronômico ficava a uns 5 min de caminhada. Mais uma vez, uma circulada, olhada nos cardápios e na cara dos pratos servidos e fizemos boa escolha. Eu já posso dizer que comi uma Quiche Loraine na Lorena…

A única ressalva que faço quanto ao hotel é que, como não tem elevador e as escaldas são ingremes, tente não subir com todas as malas (deixamos algumas no carro). Foi nossa sorte, pois pedi um apartamento no segundo andar, mas o hotel não informou que o térreo não contava, logo, na verdade era no terceiro.

O quarto era aconchegante e amplo, mas o isolamento acústico para a rua não muito bom. A cidade ficava muito deserta e parada à noite, mas o barulho dos carros eventuais na rua de paralelepípedo era bastante perceptível. A única coisa que para mim é muito estranho (apesar de comum para os franceses) é o vaso sanitário ficar em um cubículo separado do banheiro. Ninguém lava as mãos depois de usar o banheiro?